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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Os cinco primeiros pastores da Assembléia de Deus no Brasil

 Isidoro Saldanha de Oliveira

  Antes de a Assembléia de Deus haver completado dois anos, a falta de obreiros já era sentida em várias localidades onde igrejas e congregações se haviam estabelecido.
O primeiro crente das Assembléias de Deus no Brasil separado para o ministério pastoral foi Isidoro Filho. Foi ordenado pelo missionário Gunnar Vingren no princípio de 1912 para pastorear a igreja em Soure, na Ilha de Marajó (Pará).

Isidoro Saldanha de Oliveira, conhecido como Saldanha Filho ou “Caboclo”, nasceu em 29 de novembro de 1879, na Freguesia de Amarração, então província do Ceará. Por volta do ano de 1895, migrou com sua família para a cidade de Soure, na Ilha do Marajó, Província do Grão Pará, acompanhado de outros familiares.          Era reconhecidamente de personalidade forte. Isidoro Filho era alfabetizado, fez o curso de guarda-livros, posteriormente reconhecido pelo governo brasileiro como a profissão de contabilista. Em Soure, sobrevivia da pesca utilizando a técnica de captura de peixes em curral, nas praias do pesqueiro, e do mata-fome.
  Em 1903, aos 23 anos de idade, Isidoro Filho casou-se com Maria de Nazaréth Oliveira e tiveram 15 filhos, um deles, Jairo Saldanha de Oliveira, pastoreou de 1984 a 1993, a Assembléia de Deus de Imperatriz (MA).
Em junho de 1911, Isidoro Saldanha de Oliveira e sua família tiveram a grande oportunidade de conhecer o evangelho em Soure, por intermédio do missionário Daniel Berg. Isidoro Filho logo se tornou um pregador eloqüente e desbravador do evangelho. Em razão do milagre da salvação e por ser uma pessoa alfabetizada, detendo um nível de instrução acima da média das pessoas de seu tempo, logo se envolveu no trabalho evangelístico, propagando as Boas Novas.
  Em 1912, aos 33 anos, foi consagrado como primeiro pastor da recém-fundada Assembléia de Deus no Brasil. Gunnar Vingren escreveu, no livro Diário do Pioneiro, pág. 52, que, no princípio de de 1912, a igreja em Belém (PA) consagrou Isidoro Filho a pastor, o qual foi colocado na direção da AD de Soure, para cuidar do novel rebanho. Depois de 1916 a 1922, ele pastoreou a AD em Capanema (PA).
Em 1941, Isidoro Filho, após alguns anos de afastamento, por motivos pessoais, retornou suas atividades na obra de Deus, servindo, então, como auxiliar do trabalho da Assembléia de Deus de Soure, que funcionava na 3ª Rua. 
       Em 1945, Isidoro foi acometido por um derrame que o manteve deitado em uma rede por aproximadamente dois anos, sendo embalado quase que exclusivamente pela esposa. Em novembro de 1947, com 68 anos de idade, Isidoro Saldanha de Oliveira faleceu.

Absalão Piano

       O segundo pastor foi Absalão Piano, ordenado também por Gunnar Vingren no princípio de 1913, em Rio Preto, Tajapuru do Norte.
       Absalão nasceu em 31 de outubro de 1877, em Araúna (PB). Não há registro histórico sobre quando se mudou para o Pará e a data de sua conversão a Cristo. Ficou registrado, porém, que, em 1910, ao chegarem ao rio Tajapuru, no arquipélago Marajoara, os missionários pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg encotraram Absalão Piano, membro da Igreja Presbiteriana, quando então ele aceitou a doutrina pentecostal.
       Havendo comprovado a sua chamada para exercer o ministério pastoral, Absalão Piano foi ordenado, em 03 de outubro de 1913, aos 35 anos, tornando-se o segundo pastor a ser ordenado pelas Assembléias de Deus.
       Após um longo ministério pastoral nas Assembléias de Deus de Tajapurum, Viseu, Bragança, São Luiz (Estrada de Ferro de Bragança) e Tapiaí, todas no Estado do Pará, Absalão Piano foi jubilado em 1959, passando a residir em Belém (PA).
        Ficou conhecido por sua vida pastoral caracterizada pela humildade e resignação, sempre alegre e satisfeito com a igreja e com as condições de vida que a mesma lhe proporcionava. Jamais reclamou de nada. Faleceu em 02 de junho de 1963, aos 85 anos de idade na cidade de Belém. 


Crispiniano Fernandes de Melo

        
       O terceiro pastor ordenado pela Assembléia de Deus no Brasil foi, Crispiniano Fernandes de Melo, que serviu nas Ilhas paraenses. 
  Nasceu em agosto de 1885, era proprietário de Jupatí, uma vila do município de Afuá, no arquipélago da Ilha de Marajó, no Pará, e casado com Júlia Braz de Melo.                Quando os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren visitaram Jupati, ele se converteu, num sábado de maio de 1912, e após sua conversão, pregou para seus funcionários e todos aceitaram a Jesus. Desta maneira, em 1914, foi fundada a AD de Jupatí, a segunda igreja das Assembléias de Deus. Gunnar Vingren escreveu que ele trabalhava com borracha e viajou diversas vezes para um rio para testificar de Jesus.           Depois de um determinado tempo, havia  ali um grupo de uns sessenta crentes que Crispiniano mesmo batizou nas águas (provavelmente, esse local seria Jupatí). Foi sustentado pela AD de Belém (PA).
  Crispiniano também atuou na evangelização de Macapá, capital do Amapá.
Em 1974, aos 89 anos, ele se achava vivendo com sua esposa em Porto Santana (AP), amparado pelo pastor da AD local, Serafim Pires de Souza (irmão Souzinha), e pelo pastor de Macapá, Otoniel Alves de Alencar.


Pedro Trajano Pinheiro


       Trajano converteu-se ao evangelho na Igreja Presbiteriana Independente. Sobre a sua conversão, o pastor José Paulino Estumano de Morais, também crente presbiteriano na época, escreveu, no Mensageiro da Paz de maio de 1939:
Eu o conheci, desde 1907, na Estrada de Ferro. Nesse tempo, ele ainda não era crente, mas era um homem sincero e, por isso, quando ouviu a mensagem do evangelho, logo a aceitou, revelando-se, desde então, um verdadeiro servo de Deus.
Entre as boas qualidades que ele revelava, como cristão, destacava-se a humildade. Residiu, por muitos anos, em São Luiz E. F. B. e, nesse lugar, era como uma verdadeira testemunha de Jesus, sempre falando do seu evangelho e ganhando almas para o seu Reino.
  Pelos idos de 1912-1913, segundo escreveu Gunnar Vingren, no Diário do Pioneiro, Trajano ouviu falar do trabalho da Assembléia de Deus de Belém. Então resolveu visitar esta igreja, para ver e conhecer o que estava acontecendo. Ao ouvir os relatos do que Deus estava fazendo entre os crentes assembleianos, ele convenceu-se de que o Espírito Santo era uma realidade viva e atuante entre os pentecostais e voltou para contar aos crentes da sua igreja o que vira. Eles começaram então a buscar a Deus, e pouco tempo depois, em maio de 1913, Jesus batizou a primeira pessoa no Espírito Santo. Depois outros foram batizados. Este foi o princípio de todas as igrejas Assembléias de Deus naquela região.
  José Estumano de Morais, juntamente com um pastor e outro crente, procurou afastar Trajano da “nova idéia”, como diziam os presbiterianos. Ele respondeu com tanta firmeza acerca do que havia recebido de Deus, que deixou em confusão os seus amigos e continuou firme em sua caminhada na igreja pentecostal. Pouco tempo depois, em 1914, foi consagrado pastor, o quarto a receber a ordenação nas Assembléias de Deus no Brasil.  
  Por muitos anos, trabalhou em quase toda a Estrada de Ferro Belém-Bragança e colônias, havendo ganhado centenas de pessoas para Cristo. Gunnar Vingren também escreveu que Deus o dirigira a se mudar com a sua família da zona da borracha para outro lugar, chamado São Luiz, situado à beira da estrada de ferro, entre Belém e Bragança, que tinha uma extensão de 400 quilômetros. Ali havia alguns crentes de outras denominações não-pentecostais.  
Trajano tomou parte nas ordenações de vários obreiros, entre eles, José Paulino Estumano de Morais, que também se tornou pentecostal. Nunca temeu diante das dificuldades para servir a Deus e aos crentes, tanto na capital, Belém, como no interior, onde, muitas vezes, debaixo de chuvas torrenciais, ele viajou para atender as necessidades das igrejas.
  De 1915 a 1917, ele trabalhou como pastor auxiliar na AD de Belém, no pastorado do missionário Gunnar Vingren.
  Em 1918, ele foi para o interior do Estado da Paraíba. Em 1920, ele achava-se trabalhando novamente no Pará. Ele dirigiu, em 12 de julho de 1920, na casa de Joaquim Amaro, o culto que daria origem à AD de Bonito. O batismo dos primeiros convertidos também foi efetuado pelo pastor Trajano, em uma das visitas que este fez à pequena congregação.
  No ano seguinte, 1921, ele fez parte da primeira Convenção Regional das Assembléias de Deus paraenses, realizada na AD de Vila São Luiz, pastoreada por João Pereira de Queiroz.
  Atuou também nos Estados do Espírito Santo e São Paulo. Depois regressou novamente ao Pará e continuou a trabalhar nas zonas bragantinas. Dali em 1930, foi chamado para ser pastor auxiliar de Nels Nelson, na AD de Belém, permanecendo nesta função até a sua morte em 1939.


Adriano Nobre de Almeida

        O quinto obreiro, ordenado ao ministério pastoral em Belém, foi Adriano Nobre de Almeida, quando já se haviam passado cinco anos desde a fundação da Assembléia de Deus.
Nobre fora um crente presbiteriano, filho de seringalistas paraenses, nascido em Pacatuba (CE) em 1883. Era comandante de navio da Companhia Port Of Pará. Por falar inglês, ele serviu como intérprete para Gunnar Vingren e Daniel Berg quando chegaram a Belém (PA) em novembro de 1910, apresentado aos recém-chegados por seu primo Raimundo Nobre, então evangelista da Igreja Batista de Belém. Foi Adriano Nobre quem também ministrou aos pioneiros as primeiras lições de língua portuguesa, tendo se tornado depois um obreiro valoroso a serviço do Movimento Pentecostal. Ele levou Vingren e Berg para passarem alguns meses nas ilhas, num local chamado Boca do Ipixuna, no rio Tajapuru, ficando hospedados no quarto de Adrião Nobre, irmão de Adriano. Quando Frida Vingren chegou em 1917, ele também foi seu professor de português. 
        Foi consagrado pastor em 1916 por Vingren. Quando Vingren fez a sua primeira viagem à Suécia entre 1915 e 1917, Nobre ficou dois anos como pastor da igreja de Belém. O nascimento da Assembléia de Deus em três Estados brasileiros recebeu a contribuição do trabalho evangelístico de Adriano Nobre. 
        Por volta de 1914-1915 ele foi enviado pela igreja de Belém ao sertão do Ceará para dar prosseguimento ao trabalho iniciado por Maria Nazaré na Serra de Uruburetama. 
        Em 1916, ele também foi enviado a Recife (PE) pela igreja de Belém a fim de estabelecer os primeiros trabalhos pentecostais permanecendo ali até 1918. Em Natal (RN), quando os primeiros crentes desejaram ser batizados em águas, o obreiro enviado pela igreja de Belém para realizar o batismo no rio Potengi foi Adriano Nobre. Ele permaneceu naquela nascente igreja entre os anos de 1918 e 1919.
       Editou a primeira edição da Harpa Cristã publicada em 1922 em Recife (PE), que passou a ser o hinário oficial das Assembléias de Deus. Na atual Harpa Cristã seu nome consta como autor da versão de cinco hinos: (2, 3, 10 e 413).
       Na edição de dezembro de 1923, do jornal Boa Semente, na página 4, há um aviso para se solicitar exemplares da Harpa Cristã ao pastor Adriano Nobre que se achava em Nova Cruz, no Rio Grande do Norte.
       Quando em 1924 os primeiros crentes pentecostais do Rio de Janeiro se reuniram para organizar a Assembléia de Deus na sua capital, convidaram Adriano Nobre para o pastorado da igreja, mas ele não aceitou.
       Em seu intenso trabalho evangelístico, Nobre sofreu duras perseguições e privações.
      Celina, filha de Nobre, foi esposa do falecido pastor Antônio Augusto Rocha e mãe do pastor Davi Nobre Rocha, respectivamente antigo e atual pastores da AD de Rio Comprido (RJ).
      Faleceu em 1938, no Rio de Janeiro, aos 55 anos, vítima de tuberculose.  

Fonte: Dicionário do Movimento Pentecostal (CPAD)   

9 comentários:

  1. Parabéns, Pastor, pela iniciativa. Faço parte da AD de Soure-PA. Tenho orgulho de ser um mebro desta família. Um grande abraço! Que Deus o abençoe!

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  2. Parabéns irmão Jacó, fico feliz por Blogs como o seu, eu também possuo um blog "Pedrovida12", sou pr. assembleiano. Conheço o pr. Ofir, neto do Pr. Izidoro, mora aqui em Floresta do Araguaia-PA, Sul do Pará.

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    1. Deus te abençoe meu pastor Pedro Paulo.

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  3. Esses homens lutaram tanto pela obra de Deus,ensinado a doutrina ao povo e permaneceu por muitos anos.agora vemos como esta nossa assembleia de Deus,é triste ver.

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  4. Esses homens lutaram tanto pela obra de Deus,ensinado a doutrina ao povo e permaneceu por muitos anos.agora vemos como esta nossa assembleia de Deus,é triste ver.

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  5. Olá meus queridos a lados e armadas irmãs e muito gratificante conhecimento da grande História da Assembleia de Deus e seus governantes que vão de geração a geração.
    Fortaleza, 07/05/2017
    Grande abraço
    É a paz do senhor Jesus Cristo ótimo domingo.
    Maria de Fátima Braga da Silva Moura.

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  6. Você errou. O primeiro pastor foi Absalão Piano e Isidoro Filho.

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    1. Digo... Isidoro Filho foi o 2° pastor. E não o 1°.

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