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domingo, 25 de agosto de 2013

Pastor PAULO LEIVAS MACALÃO

Pioneiro das Assembléias de Deus no Brasil

Apóstolo do Século XX

Fundador e Presidente do Ministério de Madureira 



        
Considerado por muitos como o Apóstolo do Século 20, o pastor Paulo Leivas Macalão foi um dos maiores líderes que a Assembléia de Deus no Brasil teve. Homem de fibra, de uma elevada moral, e possuidor de uma liderança firme. Era um verdadeiro servo de Deus. A vida abençoada do pastor Paulo Leivas Macalão foi a confirmação do verso 23 do Salmo 37, que diz: “Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se nos seus caminhos”.

Deus confirmou todos os passos do pastor Macalão: na composição e adaptação de mais de duas centenas de hinos da Harpa Cristã, na abertura de trabalhos, na construção de templos, na organização de institutos bíblicos, na separação de obreiros, no aconselhamento da Igreja, na assistência social.

Quantos benefícios pode trazer à humanidade um homem da envergadura do pastor Paulo Macalão, exemplo de abnegação, de testemunho vivo do Evangelho e de verdadeiro pai espiritual de uma família cujos membros se contam por centenas de milhares em todo o país e no exterior. Paulo Leivas Macalão foi um abnegado servo de Deus. Que sua vida, intimamente ligada ao Senhor Jesus, o qual sempre guiou seus passos até as mansões celestiais, seja um incentivo aos que levam a preciosa semente do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, houve, em época distante, o casamento de um gaúcho de nome João Maria Macalão, oficial do Exército Brasileiro, com uma jovem também gaúcha, exímia pianista, Joaquina Georgina Leivas.
João Maria Macalão e Joaquina Georgina Leivas Macalão, em Porto Alegre, foram contemplados com o primeiro filho, Fernando, nome que recebeu em honra a São Fernando; mais tarde, Maria Isidora, assim chamada em honra à virgem Maria, e ao general Isidoro, amigo da família. As transferências se sucediam e o jovem militar obedecia, como bom soldado que era. Desta feita, a cidade designada foi Santana do Livramento. Ali, promovido a capitão, foi o oficial contemplado com o nascimento do último filho que recebeu o nome de: Paulo Leivas Macalão, tendo gravado em seu berço o nome e a imagem de São Paulo, apóstolo, dado a religiosidade de sua extremosa mãezinha.

Paulo nasceu no dia 17 de setembro de 1903, na cidade então chamada a mais fronteiriça, Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. Sua cidade natal faz fronteira com a cidade de Rivera, no Uruguai. Paulo foi criado dentro dos princípios que regiam as antigas famílias gaúchas. Disciplina e método foram, portanto, as normas aplicadas na educação do garoto. O capitão João Maria Macalão, foi novamente transferido. A cidade indicada foi São Luís Gonzaga. A família que se fazia acompanhar da governanta Sá Maria, se instalou em um casarão de compartimentos amplos.

Paulo e os seus irmãos, Fernando e Maria, tiveram sobre suas vidas a suavidade, o zelo e o carinho das mãos de sua mãe, Dona Georgina. Os primeiros rudimentos da língua portuguesa ela os ensinou a seus filhos, e desenvolveu neles a inclinação para a vida religiosa. Pois, sendo católica e assídua às missas da igreja das Missões, D. Georgina sempre conduziu consigo o pequeno Paulo, durante as longas procissões pelas ruas de Santana do Livramento e posteriormente em São Luís Gonzaga. Paulo sofreu a forte imposição do catolicismo ali dominante, e isso contribuiu, positivamente, para traçar o perfil do seu espírito religioso. Também de sua mãe que tocava piano, Paulo herdou o gosto pela música, aprendendo a tocar violino.

Tudo corria bem, até que no ano de 1908, Dona Joaquina Georgina Leivas Macalão, acometida de uma depressão profunda, veio a falecer, deixando Paulo com apenas cinco anos de idade e uma lacuna difícil de preencher. Foi algo muito triste mesmo, e o oficial Macalão ficou desolado, cuidando dos três filhos.

Desde menino, Paulo preocupou-se com a profissão que iria escolher. Passou a infância dentro dos quartéis em companhia do pai. Assimilara tudo sobre a vida militar, e João Maria Macalão desejava vê-lo general. Mas alguém lhe dissera que a melhor profissão era a de médico, porque o médico curava as pessoas de suas doenças. Então desde novinho, Paulo sentia o desejo de fazer algo pelos outros, tirar a tristeza e encher de alegria o lar que chorava, curar, amenizar a dor, enfim ajudar a quem quer que fosse. Nessa época seu pai foi transferido para o Rio de Janeiro, e nessa cidade a vida do jovem Paulo Macalão iria ter uma mudança radical.

Viajaram então os três irmãos para o Rio de Janeiro, onde foram entregues aos cuidados do tio materno, Elpenor Leivas. Ali chegando, Paulo e Maria foram estudar no Colégio Batista, na Tijuca, e Fernando regressou ao Sul. No Colégio Batista, Paulo e sua irmã tiveram os primeiros contatos com evangélicos, e deles receberam muita atenção. Nessa época, ouviram falar de Jesus através dos professores do Colégio, entre os quais o Rev. Francisco Soren. Mais tarde, Maria regressou ao Rio Grande do Sul, aonde veio a se casar. O oficial Macalão voltou ao Rio de Janeiro, indo comandar o Batalhão de Guardas, em São Cristóvão, onde também fixou residência.

Paulo ao entrar em contato com os evangélicos começou a sentir a chamada de Deus na sua vida, mas o pai queria que ele seguisse a carreira militar. As discussões com o pai sucediam-se, porque Paulo empunhava a Bíblia e o pai, que já era general, contradizia mostrando ao filho os livros de Darwin. Nessa época, Paulo que havia feito o ginásio no Colégio Batista, agora concluía seus estudos no Colégio Pedro II, um dos melhores do Rio, mas que a maioria dos professores eram ateus, defensores das doutrinas marxistas.

Um belo dia, aos 20 anos de idade, enquanto andava pela calçada da Rua São Luís Gonzaga, em frente ao número 12, em São Cristóvão, cabisbaixo, absorvido em seus pensamentos, Paulo teve sua atenção voltada para um papel amarrotado jogado no chão. Tratava-se de um folheto evangélico, mostrando o caminho da salvação. Este folheto tinha um endereço: Rua São Luís Gonzaga, nº 12, onde funcionava a Igreja de Deus, também conhecida como Igreja do Orfanato. O jovem Paulo resolveu visitá-la e entrou em contato com os crentes que ali freqüentavam. Entre esses irmãos, alguns vieram de Belém do Pará, onde haviam aceitado a Cristo na Assembléia de Deus, através das pregações dos missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg. Desde a primeira visita à igreja, Paulo tornou-se um assíduo freqüentador das reuniões que ali se realizavam, até que no dia 5 de abril de 1924, durante o cântico do hino: “Vem meu libertador”, rendeu-se aos pés de Cristo.

A igreja AD no Rio de Janeiro foi organizada oficialmente no dia 30 de abril de 1924, ficando o irmão Heráclito Menezes como pastor interino, João Nascimento como diácono e como secretário, o jovem Paulo Leivas Macalão. Eram integrantes da nova congregação, além dos irmãos citados, o irmão Eduardo de Souza Brito, sua esposa Florinda Brito e seus filhos.

O número de crentes daquela igreja havia crescido e, com a ajuda do irmão Heráclito Menezes, foi lembrado o nome do missionário Gunnar Vingren, que pastoreava a igreja em Belém do Pará, para que fosse convidado a se transferir para o Rio de Janeiro a fim de arrebanhar aqueles crentes. Aceito o convite, Gunnar Vingren mudou-se com sua família, indo residir provisoriamente na casa da família Brito, e tornou-se o pastor da pequena igreja. No primeiro batismo realizado na praia do Caju, em São Cristóvão, no dia 29 de setembro de 1924, Paulo Leivas Macalão foi o segundo crente a ser imerso nas águas pelo missionário Gunnar Vingren. No dia 3 de novembro de 1924, em uma reunião de oração, recebeu o precioso batismo com o Espírito Santo. Por essa razão, deixou de lado a carreira militar e dedicou-se à tarefa de pregar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Seu pai, depois de muito relutar, cedeu ao desejo do filho, deixando de pressioná-lo para que abandonasse seu intento.

Paulo Macalão, já batizado em águas e agora cheio do Espírito Santo, iniciou um trabalho de evangelização, realizando cultos ao ar-livre na Praça da República e o trabalho começou a crescer. Censurado e incompreendido, o irmão Paulo, em setembro de 1926, decidiu continuar seu trabalho evangelístico exclusivamente nos subúrbios da Estrada de Ferro Central do Brasil, considerado na época, zona rural da cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou incansavelmente na evangelização de Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Marechal Hermes, bem como nos arredores do Estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis e Niterói. Várias congregações foram abertas nos lugares onde passou. Nessa época com mais quatro ou cinco irmãos, tocando o seu violino, acompanhado do irmão Balbino que tocava trombone, inaugurou um pequeno salão à Rua José Machado, 76, em Vaz Lobo, onde residia o irmão Balbino. Nesse mesmo local, foi fundada a Assembléia de Deus de Madureira em 15 de novembro de 1929.

Em 17 de agosto de 1930, o missionário Gunnar Vingren, então líder da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, aproveitando a presença do pastor Lewi Petrus, (líder da Igreja Filadélfia em Estocolmo, Suécia) o qual visitava o Brasil, consagrou o jovem Paulo Leivas Macalão, então com 27 anos de idade, ao ministério pastoral.

Bangu foi a localidade que o pastor Paulo Macalão escolheu para a sede de seus trabalhos evangelísticos. Nesse bairro, com o desenvolvimento do trabalho, foi inaugurado dia 1º de janeiro de 1933 o primeiro templo da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro. Essa igreja era situada na Rua Ribeiro de Andrade, 65, onde muitas almas foram salvas e novos obreiros separados para atender a expansão da obra.

Certo dia, ao regressar para casa, o jovem pregador encontrou o seu pai extremamente enfermo. O pastor Paulo sentiu que o velho general estava prestes a passar para a eternidade, tal era a gravidade do seu estado. Portanto, não havia tempo a perder. Paulo Macalão mais uma vez falou ao seu pai do amor de Jesus, e em seguida perguntou se ele não queria aceitar a Cristo como Salvador. O velho respondeu “sim” com a cabeça. Depois, com muita dificuldade, falou: “Meu filho, Deus escreve certo por linhas tortas”. No dia 6 de setembro de 1933, o general João Maria Macalão faleceu.

Em 17 de janeiro de 1934, com a presença de vários irmãos de Bangu e de São Cristóvão, foi realizado no templo da AD em Bangu, o enlace matrimonial do pastor Paulo Leivas Macalão, com a jovem Zélia Brito. A cerimônia foi celebrada pelo missionário Samuel Nyströn, que juntamente com sua esposa Lina Nyströn foram também os padrinhos do noivo. Na ocasião a missionária Herma Muller entoou pela primeira vez o hino: “Cheios de contentamento, estamos Senhor amado. Porque é o casamento, um teu bom mandado” (150 da HC). Dessa união, nasceu-lhes no dia 20 de outubro de 1943, o único filho: Paulo Brito Macalão, que foi criado dentro de um lar abençoado por Deus. Paulinho como era conhecido, seguindo os passos de seu pai, tornou-se missionário, dedicando mais aos trabalhos de libertação.




Mais tarde, a sede do trabalho iniciado pelo pastor Paulo Leivas Macalão foi transferida para Madureira. De lá, espalhou-se para dezenas de municípios do Estado do Rio de Janeiro e também para outros Estados, como: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, e também, Brasília, logo na instalação da nova capital federal. 

No dia 14 de março de 1948, uma multidão de salvos, precedida por bandas de música, partiu do antigo templo situado à Rua João Vicente, nº 7, rumo a um terreno localizado na Rua Carolina Machado, 174. Neste local, às 15:00 horas desse dia, foi lançada a pedra fundamental do novo templo.


As quase oito mil pessoas que se reuniram no templo da Assembléia de Deus de Madureira, na noite de 1º de maio de 1953, não estavam ali para contemplar os belos vitrais, as possantes colunas, os ramalhetes de flores pintados no teto, os bancos, as paredes, as luzes, os degraus, as portas, as galerias. Não. Eles ali estavam para sentir a presença do Senhor, que pairava sobre a nave em toda a sua plenitude. Aquela igreja representava um marco de vitória no doloroso e difícil caminho daqueles pioneiros – Paulo e Zélia Macalão, e de todos os que professavam o nome do Senhor. 

A inauguração contou com a presença de várias autoridades, civis e militares. Ao som do Hino Nacional Brasileiro, a fita simbólica foi desatada pelo representante do Vice-presidente da República, os irmãos entraram no templo cantando hinos, e a festa espiritual começou. Construído na terra, mas com janelas e portas espirituais abertas para o Céu, só a eternidade poderá revelar o número de almas que já se converteram nesse lindo templo.Seu interior, em estilo gótico, é cheio de uma certa majestade que faz interiorizarem-se os sentimentos, levando o coração e o espírito a adorarem a Deus. À noite, o amplo espaço da nave é invadido por uma suave luminosidade. Numa sucessão de curvas graciosas, arcos góticos, colunas entremeadas de ramagens floridas, cúpulas e pórticos de linhas dóceis, terminadas em curvas entrelaçadas de flores de gesso, a beleza surge espontaneamente aos olhos de quem se detiver a contemplar aquela Casa de Oração. A tonalidade suave das paredes, a largueza e amplitude do teto coroado de ramalhetes de flores artisticamente pintados, contribui para que as diminutas lâmpadas, ocultas sob os frisos que se salientam em média – parede, produzam em vários pontos, um bordado luminoso de várias cores. Porém, a majestade de Cristo e o esplendor de sua presença é o que mais se busca ali, na súplica e no louvor do seu santo nome.

As comemorações de aniversário desse templo se tornaram um acontecimento extensivo a todas as igrejas filiadas ao Ministério de Madureira. Durante os cultos, corais, grupos musicais e banda de música de diversas igrejas e congregações comparecem à festa. As igrejas co-irmãs apresentam os nomes dos candidatos ao batismo nas águas. Passam a funcionar intensivamente os serviços de relações públicas, secretaria, alimentação e hospedagem. As irmãs da CIBE – Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas entram em ação, cooperando na cantina da igreja, servindo às mesas e comprando víveres.
As festividades têm início com a execução do Hino Nacional e são encerradas com ele. Nos mastros do templo e da Escola São Paulo há o hasteamento da Bandeira Nacional. Várias autoridades civis e militares comparecem ao evento, além da presença de centenas de pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos e demais irmãos de diversos estados do Brasil.

O pastor Paulo Leivas Macalão foi evangelista nos primeiros anos de crente, pregando o Evangelho pelos bairros limítrofes da estrada de ferro Central do Brasil. Com sua frase característica, que gostava de dizer: “Jesus Cristo salva, cura e batiza com o Espírito Santo”, ia ganhando as almas para Cristo. Foi perseguido, caluniado, humilhado e até apedrejado pelas ruas do subúrbio no Rio de Janeiro, mas nunca largou a bandeira de Cristo, o escudo da fé, a couraça do Espírito, a espada de Deus, o capacete do amor, e por isto conseguiu vitória absoluta e imparcial sobre todas as hostes do maligno.

A primeira sede da Assembléia de Deus fundada e pastoreada por ele foi erguida em Bangu. Lá foram dados os primeiros passos de um ministério poderosíssimo, abençoado por Deus e repleto da força do Espírito. Posteriormente, quando a sede do ministério foi transferida para Madureira, além do majestoso templo matrís, surgiram grandes trabalhos iniciados pelo pastor Paulo Macalão. Como exemplo, citamos: o templo da AD no Brás – São Paulo, os grandes templos em Goiás e a famosa Catedral das Assembléias de Deus em Brasília, que foi idealizada e inaugurada por ele, poucos dias antes de seu falecimento.

Foram 52 anos de pastorado, 52 anos dedicados integralmente ao Senhor. Era inspirado por Deus e por isso, 46,5% das letras dos hinos da Harpa Cristã são de sua autoria. 188 hinos com letras traduzidas e 56 de autoria dele. Ao todo, 244 hinos escritos por este baluarte pentecostal. Como músico que era, formou a primeira banda de música da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro.
                  
Durante o seu longo ministério, o pastor Paulo Leivas Macalão foi assessorado por muitos servos de Deus, designados pelo Espírito Santo para se empenharem nas lutas em prol do Evangelho. Consagrar obreiros, abrir novos trabalhos, empossar pastores e olhar o procedimento dos que ainda não zelavam pelo rebanho, foram atividades longamente exercidas pelo pastor Paulo.

Entre os muitos homens de Deus que auxiliaram diretamente o pastor Paulo Macalão, parece que o que melhor o assessorou foi o pastor Alípio da Silva, cujo temperamento era forte, mas amainado por uma acentuada humildade cristã. Durante longos anos, esteve ele ao lado daquele homem de Deus, dando sempre o seu parecer para a resolução das questões difíceis que surgiam.

O pastor Alípio era um administrador por excelência e foi co-responsável pela coesão do trabalho do Ministério de Madureira nos diversos Estados onde penetrou. Ele começou auxiliando o pastor Paulo, como secretário geral, depois foi tesoureiro geral e por longos anos exerceu a vice-presidência do Ministério de Madureira, tendo exercido também diversos cargos na CGADB. O pastor Alípio da Silva foi chamado ao descanso eterno, apenas 21 dias antes do falecimento do pastor Paulo.
Outros homens de Deus que muito colaboraram no ministério do pastor Paulo Macalão, alguns dos quais já dormem no Senhor, foram os pastores: Antônio Moreira, Antônio Inácio de Freitas, Albino Gonçalves Boaventura, Divino Gonçalves dos Santos, José Brandão Porto, Guilson Guilhard, Abigail Carlos de Almeida, Álvaro Motta, José Eduardo Modesto, Antônio Ianoni, Lupércio Vergniano, José Ramos dos Santos, Benjamim Felipe Rodrigues, José Marques Sobrinho, Roberto Montanheiro, João Galdino de Lima, Sebastião Vieira de Souza, Manoel Ferreira, Acácio Soares Martins, Manoel da Penha Ribeiro, Manoel Francisco da Silva, Ades Antônio dos Santos, Narbal Soares, Carlos Malafaia, José Leite de Lacerda, Otávio José de Souza, Sebastião José da Silva, Nicodemos José Loureiro, Orosman Dagoberto dos Santos entre outros. O pastor Manoel Ferreira, depois de uma longa folha de serviços prestados à causa do Senhor em São Paulo e Brasília, há vários anos é o Presidente da CONAMAD – Convenção Nacional dos Ministros das Assembléias de Deus do Ministério de Madureira e Igrejas Filiadas, a qual recentemente teve sua sede transferida para Brasília.


Pastor Paulo Macalão teve o privilégio de ao longo de seu ministério, visitar igrejas em diversos países, tais como: Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Espanha, Portugal e outros. Em 1973, em companhia de outros renomados servos de Deus, participou da 10ª Conferência Mundial Pentecostal em Seul – Coréia do Sul, ocasião em que visitou 11 paises, tais como: Hong-Kong, China, Índia, Tailândia, Japão, Itália, Egito, Israel, Portugal e Estados Unidos.
Além de ter sido o Fundador e Presidente do AD em Madureira, por muitos anos, o pastor Paulo Leivas Macalão foi Conselheiro da Sociedade Bíblica do Brasil; Presidente do Instituto Bíblico Ebenézer e da Convenção Nacional dos Ministros das Assembléias de Deus de Madureira e Igrejas Filiadas; foi Presidente do Conselho Fiscal da OMEB; Presidente de Honra da UMADMEC – União da Mocidade das Assembléias de Deus em Madureira e suas Congregações. Na CGADB, exerceu cargos importantes como presidente e vice-presidente em algumas ocasiões. Foi vice-presidente do Conselho Administrativo da CPAD, da qual era Conselheiro Vitalício. Por cerca de oito anos, atuou como membro do Comitê Internacional que planeja as Conferências Mundiais Pentecostais. Em Dallas, Texas, foi o representante do Brasil, pregando numa das reuniões. Visitou igrejas na Inglaterra e a Igreja Pentecostal Filadélfia em Estocolmo, na Suécia. Em Springfield, Missouri – EUA, recebeu um certificado, quando de sua visita oficial a Igreja Central das Assembléias de Deus na América do Norte.
O pastor Paulo recebeu o título de cidadão de Anápolis – GO, de Nilópolis – RJ e do antigo Estado da Guanabara. Corrigiu e ampliou a Harpa Cristã.
Não é possível avaliar o trabalho desenvolvido pela Assembléia de Deus de Madureira na gestão do pastor Paulo Leivas Macalão, pois ele cresce a todo o momento, como também em todos as demais. Uma estatística aproximada em 1979 apontava cerca de 200 pastores, 500 evangelistas, 2000 presbíteros, 5000 diáconos, 4000 auxiliares, 6000 músicos, 600 igrejas, 1000 congregações e 3000 pontos de cultos. O total de membros e congregados era estimado em 500 mil.


Não é fácil resumir toda a obra realizada por aquele que foi, na opinião de pastores influentes e autoridades respeitáveis, o maior líder evangélico do século 20. Como não poderia deixar de acontecer, um dia ele deixaria seu tabernáculo terreno para habitar nas mansões celestiais. E isto aconteceu na manhã do dia 26 de agosto de 1982. Estando enfermo nos últimos anos de sua vida, o pastor Paulo apesar de sofrer resignadamente, deixava transparecer que necessitava de socorro urgente. E os amigos foram unânimes em suas orações e zelo.

Após dias com a família e dias em hospitais, cercado de amigos durante dia e noite, todos lutavam para que a enfermidade que o atingia, pelas orações, tivesse uma solução, mas Deus tinha outro plano. O veterano servo do Senhor, pastor Paulo Leivas Macalão, com a mesma serenidade que o caracterizava, teve um edema pulmonar agudo e dormiu no Senhor às 09:16 horas do dia 26 de agosto de 1982.
Para o irmão que o visitara na véspera, ele disse: “Tive uma visão com o trabalho de Madureira; foi ele apresentado como um grande bolo de aniversário e os obreiros de todo o campo ao redor dele”.
A partir da notícia de que o pastor Paulo Leivas Macalão havia sido promovido à Glória, e que seu corpo seria velado na Capela de Porta Aberta, nas dependências do Abrigo das idosas do SASE, na Avenida Brasil, 30.000 em Realengo, começou um grande movimento de pessoas e líderes evangélicos de todo o Brasil. Desfilaram diante do corpo do amado pastor, desde os mais humildes artesões aos mais renomados líderes do evangelismo pátrio; desde o devotado soldado ao ilustre general. Todos se irmanaram ao povo de Deus levando sua palavra de carinho, admiração e o compreensível lamento pela ausência, pela lacuna, pela falta de tão excelente e necessária figura nas atividades religiosas do País.
Com muito custo, a multidão, já dia claro, começou a se deslocar, dando passagem para a formação do cortejo fúnebre. Com o séqüito já chegando aos portais do cemitério, e ainda, no Abrigo do SASE, em Realengo, deslocavam-se mais carros, ônibus e várias outras viaturas em direção ao Parque Jardim da Saudade.
Uma multidão, de mais de 10 mil pessoas, superlotava toda a área daquele cemitério. Em quase todos os rostos os sinais das lágrimas, a ansiedade no olhar para gravar o último adeus, a angústia das mãos acenando numa pungente despedida, os lenços amarrotados umedecidos pelo pranto.

Quando o carro que transportava o corpo do pastor Paulo Macalão chegava ao local do sepultamento, o dia que amanhecera claro, sem nuvens, de repente é toldado por uma formação de grossas nuvens que, rolando, levadas pelas mãos do vento, abriram-se deixando um espaço claro no céu. Em torno desse espaço, ainda rodopiando, as grossas nuvens formaram um grande circulo que, surpreendentemente, ia se matizando com as mais variadas tonalidades, mais vivas e mais fortes do que as cores do arco-íris. Um quadro impressionante que emocionou toda a multidão, principalmente, quando uma garotinha de uns cinco anos, gritou, apontando para o alto: “Olha uma coroa no céu!”   Tratava-se de um fenômeno natural, sem dúvida, porém muitos dos que acompanharam aquele maravilhoso espetáculo no céu, entenderam que o Senhor se revelava majestosamente ao seu povo naquele momento, como fizera com o povo de Israel no deserto, guiando-os de dia com nuvem e à noite com a coluna de fogo. Quando o corpo do pastor Paulo baixou a sepultura, aquele fenômeno desapareceu.
Naquela oportunidade, foi lembradas as palavras do texto bíblico registrado em Ap. 2:10, que diz: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.
A perseverança em combater o bom combate foi sempre o fanal do pastor Paulo Leivas Macalão. Ele soube cumprir com humildade e coragem a árdua, porém, gloriosa missão que lhe reservou o Senhor Deus.

Ao partir para o eterno descanso, pastor Paulo Leivas Macalão deixou muitas saudades na viúva, irmã Zélia Brito Macalão (que também já dorme no Senhor), no filho Paulo Brito Macalão, na nora Edna Santos Macalão, e nos netos Paulo Marcos e André Lúcio.
Seu neto, André Lúcio dos Santos Macalão, continua os passos do avô, servindo ao Senhor como Pastor Presidente da Assembléia de Deus em Caldas Novas (GO).
O Pastor Paulo Leivas Macalão, patriarca das Assembléias de Deus no Brasil e fundador do Ministério de Madureira é sempre lembrado com muito respeito e carinho, não só pelos seus 52 anos de pastorado ministrando os ensinamentos da Palavra de Deus, mas principalmente pelos hinos de sua autoria, cerca de 252 hinos, do maior hinário pentecostal do país – a HARPA CRISTÃ, utilizada pelos milhões de crentes no Brasil, patrimônio histórico das Assembléias de Deus – Ministério de Madureira. Corrigiu e ampliou a Harpa Cristã em sua última edição. Passou a estar com o Senhor no dia 26 de agosto de 1982, aos 79 anos de idade.

Não é possível avaliar o trabalho desenvolvido pelas AD Madureira (hoje representada pela CONAMAD), que cresce a cada momento em todo o Brasil, mas uma estatística aproximadamente apontaria cerca de 2500 pastores, 5000 evangelistas, 8000 presbíteros, 11000 diáconos, mais de 3500 igrejas, mais de 3000 congregações, com um total de aproximadamente 3.500.000 membros.

ANEXOS:


                                          Paulo Macalão (na extrema direita assentado), 
                                                    ao lado de pioneiros da AD no Rio de Janeiro


                                              Antigo Templo da AD em Bangu (RJ) onde teve início 
                                                                  o Ministério de Madureira 


 Construção do Templo Matriz da AD de Madureira (RJ)


                Templo Matriz da Assembleia de Deus de Madureira

           Nave do Templo Matriz em Madureira


             Pastor Paulo Macalão, pastores e autoridades
        na inauguração do Templo Matriz


                        Obreiros reunidos em Madureira (1960)



Templo Matriz da Assembleia de Deus em Madureira (RJ)


           Nave do Templo Matriz de Madureira (RJ)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Catanduva elege primeira Pastora Presidenta das Assembleias de Deus no Brasil

A Assembléia de Deus Ministério de Catanduva elege a Pastora Maria Lúcia Machado de Moraes como sua Pastora Presidenta. Conforme informações apuradas por este blog, A Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério de Catanduva - SP, no dia de ontem, 18.08.2013, quebrou paradigma em termos de administração eclesiástica, ao eleger por aclamação uma mulher como Pastora Presidenta do campo. De acordo com as informações oriundas de fontes fidedignas, o fato aconteceu durante Manhã Missionária no dia de ontem, como parte do XVI Congresso anual de Missões do Ministério. Na ocasião, o Pastor Presidente Paulo Sérgio Dutra de Morais, informou à Igreja sobre sua impossibilidade de continuar na presidência, por orientação médica, pediu a sua jubilação e indicou a sua esposa que já atuava como sua Primeira Vice-Presidente,Pastora Maria Lúcia Machado de Moraes, como sua sucessora na presidência da Igreja e Ministério. A Assembléia de Deus de Catanduva, tradicional ministério da denominação no interior do Estado de São Paulo, foi pastoreada pelo honrado e respeitado Pastor José Dutra de Moraes, in memorian, que antes da sua promoção às mansões celestiais, deixou indicado seu filho como seu sucessor. Pouco tempo após ter assumido a presidência, o Pr. Paulo Sérgio Dutra de Moraes se desligou da COMADESPE - Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros, convenção a que seus ministros eram filiados, e consequentemente da CGADB - Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, passando a atuar como igreja independente e isolada, do ponto de vista institucional. Este blog publica esta notícia, por ser informação relevante e histórica para as Assembleias de Deus no Brasil, não fazendo juízo de valor à medida tomada, por ser de interesse exclusivo do "intramuros" do Ministério Local, porém, tornou-se pública ao ter sido tomada em reunião pública, em festividade da Igreja, e também por já ser assunto corrente na cidade, mormente no meio eclesiástico. Portanto, eleita por aclamação a Pastora Maria Lúcia Machado de Moraes, como a primeira Pastora Presidente das Assembleias de Deus no Brasil. Na condição de Vice Presidente Executivo da COMADESPE - Convenção dos Ministros das Assembléias de Deus no Estado de São Paulo e Outros, convenção à qual a Igreja AD em Catanduva foi ligada através de seus ministros durante muitos anos, recebi algumas ligações, mas essa é uma medida interna, portanto de interesse do Ministério Local, já que a Igreja caminha independente e isolada das demais Assembléias de Deus. Que Deus abençoe a Assembléia de Deus em Catanduva - SP. Pr. Carlos Roberto Silva Fonte: Point Rhema

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Missionário JOEL CARLSON

Missionário Sueco 
Pioneiro da Assembléia de Deus em Recife

Missionário sueco, evangelista, pastor, antigo líder da Assembléia de Deus em Pernambuco e ex-presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil.

Considerado por muitos como O Apóstolo do Nordeste Brasileiro, o missionário Joel Carlson teve uma vida dedicada ao Senhor.


Joel Frans Adolf Carlson nasceu em Estocolmo, capital da Suécia, no dia 23 de junho de 1889, filho de John Albert Carlson e Emma Lovisa Carlson. Aceitou a Jesus em 10 de janeiro de 1914, com 25 anos incompletos, sendo batizado em águas na Igreja Filadélfia de Estocolmo, três meses depois, em 11 de março. No mês de outubro do ano seguinte, recebeu o batismo com o Espírito Santo.

Antes de se converter ao Senhor, Joel Carlson havia sido um atleta de grande destaque, um dos primeiros da Suécia, e venceu alguns astros mundiais nas corridas internacionais. Por essa razão foi escolhido para competir nos jogos olímpicos, mas convertido a Cristo, preferiu ingressar na carreira evangelística e demonstrou o mesmo ânimo de vencer todos os obstáculos, dando completa liberdade ao Espírito Santo para nele operar, nunca se cansando no sagrado dever de propagar a maravilhosa Palavra de Deus.

Provavelmente, nos anos de 1916 e 1917 estudou na Escola Bíblica mantida pela Igreja Filadélfia de Estocolmo e dirigida pelo pastor Lewi Petrus. No final de 1915, antes de ingressar nessa escola recebeu a chamada para o Brasil. Quando Joel recebeu a chamada missionária, ficou sem saber para onde devia seguir e então resolveu pedir a Deus que lhe revelasse o caminho. Certo dia, estando contemplando a beleza do céu azul, ouviu uma voz que lhe dizia: “eis para onde deves seguiu”, e em seguida foram aparecendo no céu, uma a uma, as seguintes letras: “B r a s i l”, ouvindo ainda, logo após, a soleníssima confirmação: “Vai!”

Cônscio da soberana vontade de Deus dirigiu-se a seu bondoso pai, comunicando-lhe a gloriosa visão. Seu pai, talvez por não querer sentir a dor da separação de seu filho, não quis de maneira alguma contribuir com os subsídios para aquela tão abençoada viagem, Deus, porém, tinha mandado que ele viesse ao Brasil. De sorte que, ao chegar ao conhecimento da igreja, os irmãos reuniram-se e tiraram uma oferta de amor, que rendeu-lhe o suficiente para o custeio da viagem.

O missionário Joel ficou bastante triste e chorou muito, quando soube que os missionários Samuel e Lina Nyströn haviam deixado a Suécia rumo ao Brasil, em agosto de 1916. Chorou por não ter podido acompanhá-los naquele ano. Ainda lamentou profundamente o fato de nem ao menos ter ido despedir-se dos mesmos, por ocasião, por ocasião do embarque.

Joel Carlson casou com a jovem Signe Charlotta Hedlund, irmã do missionário Samuel Hedlund, no dia 15 de outubro de 1917. Ela foi sua fiel companheira até o tempo em que o Senhor aprouve levá-la. Tiveram quatro filhos: Börje, Ruth, Ragnar e Elsa. No mesmo dia do casamento, em cerimônia oficiada na Igreja Filadélfia de Estocolmo pelo Pastor Lewi Pethrus, Joel e Signe foram comissionados para trabalhar como missionários no Brasil. 

Já estava tudo pronto para a vinda do missionário ao Brasil: Joel fizera o curso bíblico, recebera a confirmação divina do local em que deveria estar, já havia se casado e arranjara o dinheiro para ajudar nas despesas da viagem. Depois de uma longa travessia do Oceano Atlântico aportaram na cidade de Belém do Pará, em 12 de janeiro de 1918, quatro anos após a conversão de Joel.

Na capital paraense, enquanto aprendiam a balbuciar as primeiras palavras da língua portuguesa, ambientavam-se com os costumes do lugar. Oito meses depois, no dia 14 de outubro, seguiram para o campo de ação, o Nordeste Brasileiro. Em Recife, substituiu o Pastor Adriano Nobre que havia sido enviado dois anos antes pela AD em Belém, para iniciar a igreja em Pernambuco.

O historiador assembleiano Emilio Conde também relatou em seu livro ‘História das Assembléias de Deus no Brasil’ que Joel Carlson recebeu ainda na Suécia algumas visões sobre o Estado de Pernambuco, e quando lá esteve reconheceu o local. Estando já em Belém do Pará, recebia cartas de Pernambuco que lhe confirmavam a chamada divina para trabalhar em Recife.

Joel Carlson trabalhou em Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, fixando-se definitivamente no Estado de Pernambuco, cuja Assembléia de Deus pastoreou durante 24 anos, só deixando o cargo quando o Senhor o recolheu ao descanso eterno.

Ao chegar em Recife (PE), o casal Carlson teve dificuldades de encontrar a residência de João Ribeiro da Silva, pioneiro pentecostal naquela região, e que morava na Rua Ponte Velha, 24, no bairro dos Coelhos. Este irmão, no ano de 1916 ouvira Adriano Nobre falar acerca do batismo com o Espírito Santo, e creu na promessa pentecostal, passando a buscá-la. Depois, permitiu ao referido pastor Adriano dirigir os primeiros cultos em sua casa, nesse mesmo ano.

Os integrantes da nova igreja oraram muito ao Senhor, pedindo-lhe que enviasse alguém para dar continuidade à sua obra, tendo em vista que Adriano Nobre havia regressado ao Pará, e eles estavam sem dirigente. A resposta de Deus estava, pois, batendo na porta de João Ribeiro da Silva. Ao primeiro culto realizado por Joel Carlson nessa casa, no dia 24 de outubro de 1918, compareceram poucas pessoas. A igreja contava somente com 4 membros e alguns interessados.

Os primeiros tempos foram cheios de dificuldades e de lutas. Às vezes o desânimo impunha-se aos recém-chegados. O povo não demonstrava interesse pela Palavra de Deus. Um ou outro se convertia, porém isto não era suficiente para animar os missionários. Joel teve muito que lutar contra os exércitos do maligno, aos quais venceu pelo poder do sangue de Jesus. Foram lutas acérrimas, batalhas cruéis; seu esforço se redobrava para vencê-las. Sempre confiando naquele que tudo pode, derramava lágrimas amargas. Um dia, quando estava no ápice da refrega contra as hostes infernais, o Senhor levou o seu primogênito. Esse golpe dilacerou o seu coração, e ele chorou dolorosamente. Diante de tantas dificuldades e de tanta dureza nos corações, resolveu regressar à sua pátria, a Suécia.

Mas não era da vontade do Senhor que o seu servo voltasse à Suécia. Nessa época, Carlson visitou a Paraíba e o Rio Grande do Norte e verificou que nesses estados muitas pessoas aceitaram a Cristo como Salvador e parecia que o campo era mais fértil ao Evangelho. Ficou tão alegre com o que viu que desejou mudar-se para lá. Comunicando essa resolução a João Ribeiro, este respondeu: “Não faça isso, pois Jesus fará uma grande obra aqui em Recife, também”.

Tal afirmação reativou a sua confiança em Deus. A lembrança de que Ele não desampara nunca os que lhe são fiéis fortaleceu o seu coração. Era realmente duro como pedra aquele campo pernambucano; porém o Senhor honrou o seu servo e transformou-o numa belíssima campina, onde há um grandioso rebanho de ovelhas do sumo pastor.

Logo depois, as bênçãos divinas desceram do Céu e Jesus começou a salvar muitas pessoas. A primeira Santa Ceia foi no início do ano de 1919, com poucos crentes. Dez anos depois da chegada de Joel Carlson, em 15 de abril de 1928, foi inaugurado um amplo e espaçoso templo na Rua Castro Alves, 225 – bairro Encruzilhada, que passou a ser a sede da igreja em Recife.

No ano de 1941 a Assembléia de Deus em todo o Estado de Pernambuco contava com 10 mil membros, sendo 3.500 somente na capital. Contava com dezenas de pastores, vários templos no interior e dois na capital, dezenas de congregações e pontos de pregação, distribuídos em toda Recife. Joel Carlson havia fundado também um orfanato, e com ele cooperaram as missionárias Elisabeth Johansson, Lílian Johansson, Ester Anderson, Augusta Anderson e Ingrida Franson. Quando o missionário faleceu, deixou cerca de duzentos órfãos, tanto em sua casa como no orfanato.

No dia 23 de agosto de 1942, o missionário Joel Carlson efetuou sozinho o batismo de 187 novos crentes. Foi uma festa maravilhosa, porém, um dos batizandos estava atacado de tifo e o missionário foi contagiado pelo mal e esse foi o meio pelo qual o Senhor Jesus resolveu recolher o Seu servo. No dia 7 de setembro, o saudoso missionário entrou no descanso eterno. Cerca de três mil pessoas acompanharam o corpo até o Cemitério de Santo Amaro. Foi o maior cortejo já realizado até então, em homenagem a um líder evangélico. Foi alegria e tristeza para a igreja que nesses dias contava com 3500 membros em comunhão, somente na capital. Dias antes de sua morte, um crente tivera um sonho no qual via o Céu em preparativos para receber um grande príncipe que chegaria da Terra. Esse príncipe era o missionário Joel Carlson, concluíram os crentes.

Ao falecer, o irmão Joel estava com 53 anos de idade e iria festejar as suas Bodas de Prata de casamento com a missionária Signe. Deixou órfãs as três filhas: Ruth, Ragmar e Elza, nascidas em nossa terra.

No ano de 1980, a missionária Signe Carlson passou a estar com o Senhor, indo encontrar-se com Joel, na pátria celestial. Antes, porém, ela teve o privilégio de presenciar grandes eventos da AD em Recife, tais como o Jubileu de Ouro da igreja realizado em 1968, e a inauguração do novo templo-sede em 1978, ocasiões em que pôde ver milhares de frutos do trabalho iniciado pelo casal.

Segundo artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz nº 23, do ano de 1942, “a bondade e o ânimo de Joel Carlson foram prodigiosos; possuía qualidade persuasiva e onde estivesse presente era logo notado, sendo o centro de atração, tanto entre adultos como entre crianças. Sabia, como ninguém, conviver entre os homens e deles ser amado e respeitado, estando sempre a ajudar. Foi excelente companheiro de ministério, vivendo sempre alegre e conduzindo-se com uma nobre lealdade. Era notável diplomata, e com uma palavra desfazia qualquer animosidade. Para os nordestinos em geral e os pernambucanos em particular, Joel Carlson foi um apóstolo. O mensageiro bendito que veio de além mar, das plagas escandinavas da Suécia, terra dos vikings, uma raça temida por sua braveza e espírito de destruição, soube ser valente, abrindo caminhos de salvação, manejando a espada do Evangelho.

Joel Carlson será sempre lembrado por todos, como modelo de bondade e de nobreza de alma. Se lhe faltavam os arroubos da eloqüência ou a magia da pena, sobrava-lhe um coração repleto de bondade e de grandiosidade de sentimentos, que constituía o traço característico de sua personalidade.

ANEXOS:






            Missionário Joel Carlson, batizando no Rio Capibaribe, em Recife


                    Missionária Signe Carlson, falecida em 1980

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pastor Anselmo Silvestre partiu para o descanso eterno

Pastor Anselmo era conhecido em todo o país pelo seu vigor extraordinário, apesar da idade, e pelo seu bom humor




Faleceu neste domingo (30), aos 96 anos, pastor Anselmo Silvestre, presidente de honra da Assembleia de Deus Ministério de Belo Horizonte (MG). Evangelista e líder das Assembleias de Deus em Minas Gerais por mais de 50 anos, nasceu em 1º de junho de 1916 em Sabinópolis (MG). 
Pastor Anselmo teve 62 anos de pastorado - boa parte como presidente da Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus do Estado de Minas Gerais (COMADEMG).
Ele era conhecido em todo o país pelo seu vigor extraordinário, apesar da idade (sempre viajando), pelo seu bom humor e por gostar de cantar, nas igrejas e convenções, o hino cujo refrão conclama a todos ao avivamento, declarando que “tem que começar pelo altar”. Ele era viúvo desde 1986.

Um pouco da história

Consagrado a pastor em 1950 e na liderança da AD mineira desde o ano de 1959, o ministro tomou posse após o falecimento do missionário sueco pastor Algot Svenson. Teve ainda o privilégio de conviver com a maioria dos pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil, inclusive com um dos fundadores da AD, missionário Daniel Berg.
Em 1930, aos 13 anos, mudou-se para Belo Horizonte. Casou-se com Bernarda, com quem teve oito filhos. Sua conversão ao Evangelho aconteceu em maio de 1939, em Belo Horizonte, por meio da cura de sua esposa. Em dezembro deste ano, foi batizado nas águas, tendo já recebido o batismo no Espírito Santo. Em 1959 assumiu a presidência da igreja em Belo Horizonte.
Pastor Anselmo ocupou cinco vezes a vice-presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), além de outros cargos na mesa diretora e, como conselheiro, em órgãos da Convenção. Em seu pastoreado, a AD em Belo Horizonte hospedou duas assembleias gerais da CGADB.


sábado, 26 de maio de 2012

Missionário Otto Nelson


Missionário Sueco

Apóstolo das Assembléias de Deus no Nordeste



            O Brasil e em particular os Estados de Alagoas, Sergipe e Bahia são profundamente agradecidos ao Senhor pelo impagável serviço na Causa Santa, que tanto beneficiou a milhares de brasileiros na instrumentalidade do missionário Otto Nelson, um dos grandes apóstolos que nossa terra conheceu. Via-se em Otto Nelson um dos grandes apóstolos que palmilharam a nossa nação durante vários anos, produzindo muitos frutos para a glória de Deus, trabalho a que, aliás, não faltou a colaboração da sua fiel companheira, a saudosa irmã Adina Nelson.
            Otto Nelson nasceu na Suécia, em uma casa de campo da zona sul do país, a 11 de agosto de 1891. Em sua tenra infância, imigrou para os Estados Unidos da América por razões de trabalho. Lá se converteu Cristo e recebeu o batismo com o Espírito Santo.
            Orientado por Deus e recém-casado com Adina Petterson, viajou para o Brasil, tendo desembarcado em Belém do Pará no ano de 1914, sendo o terceiro missionário pentecostal a aportar em nossa pátria. Começou seu trabalho de evangelização em Belém, cooperando com os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg.
            No dia 21 de agosto de 1915, Otto Nelson chegou com a família em Maceió (AL) após uma longa viagem a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro. Quando chegou, havia apenas seis pessoas que tinham recebido a mensagem pentecostal na capital alagoana. No dia 25 de agosto, quatro dias após sua chegada, reuniu-se com aqueles irmãos para cultuar ao Senhor, ocasião em que três deles foram batizados com o Espírito Santo. No início, Deus já confirmava a obra que iria fazer através de seus servos.
            Porém da mesma forma como bem cedo começaram a se manifestar as bênçãos de Deus entre o pequeno grupo, as perseguições e ameaças começaram. Satanás mobilizou todas as artimanhas para desencorajar o povo de Deus em Maceió. Porém, quando verificou que as ameaças não atemorizavam, enviou falsos profetas com mensagens desanimadoras. Quando o povo estava reunido para adorar a Deus, os falsos profetas, do lado de fora, gritavam: “Não vai, não vai, isso não vai”. Queriam dizer que o trabalho ali não iria prosperar.
            Durante alguns anos, ninguém queria se aproximar dos crentes. Muitos os evitavam. Enquanto isso, os crentes se aproximavam de todos e, com graça e amor, semeavam as Boas-Novas.
            Em 22 de outubro de 1922, Otto Nelson inaugurou o terceiro templo da AD no Brasil e o maior da denominação na época. Sua inauguração repercutiu em todo o Nordeste e atraiu para Maceió crentes de vários Estados.

            De 21 a 28 de outubro de 1923, Nelson realizou a primeira Convenção da AD em Alagoas, com a presença de irmãos e líderes de todo o país. Por esse tempo, morreu um dos filhos do missionário, que naquela época residia no bairro de Bebedouro, em Maceió. Na hora de realizarem o enterro foram surpreendidos com a informação de que o sacerdote católico romano não permitia que a criança fosse sepultada no cemitério local. Além de se opor ao enterro, levantou a população contra os pregadores do Evangelho. Foi necessária a intervenção das autoridades para que o enterro fosse realizado. E isso só pôde acontecer à noite, sob escolta policial, pois de outra forma não poderiam enterrar o menino.
            No ano de 1924, quando toda a capital alagoana foi castigada por uma tremenda inundação que arrasou e arrastou na correnteza casas, pessoas, animais e móveis, Otto Nelson abriu suas portas para abrigar os crentes que perderam suas casas.
            Em maio de 1930, o missionário entregou o pastorado da igreja a Algot Svenson e viajou para a Bahia. Lá, o trabalho também foi muito difícil. Seis meses de esforços foram necessários para realizar o primeiro batismo, com apenas quatro pessoas. “Aqui em Salvador ainda não podemos dar novas de grande progresso do trabalho, mas temos semeado a boa semente, e a temos regado com as nossas orações”, escreveu Nelson. Tempos depois, tudo se modificou, de forma que os batismos se sucederam e a igreja cresceu.
            Otto Nelson não cuidava só do trabalho na capital. Sua visão alcançava o interior do Estado. Em duas semanas em Valente, no município de Coité, mais de 20 pessoas aceitaram a Cristo. Treze foram batizadas nas águas e foi aberta ali uma congregação.
            Nesse período, foi convidado pelos irmãos de Aracaju a oficializar a igreja sergipana, que ainda estava sendo formada. Em 18 de fevereiro de 1932, Otto Nelson chegou a Sergipe, inaugurou e oficializou a nova igreja, que ficou filiada à AD em Salvador até 1949, quando ganhou autonomia; batizou seis novos convertidos (a igreja ali só tinha 11 crentes na época) e celebrou a primeira Ceia do Senhor no Estado.
            Durante seis anos, o missionário serviu à igreja baiana, a princípio na capital, e depois em todo o Estado. Em 1936, a igreja já estava em condições de promover sua primeira convenção estadual. Esse fato foi muito significa e atestou o progresso do Evangelho na Bahia. Nos dias 27 de abril a 3 de maio de 1936, a igreja em Salvador hospedou a primeira Convenção da AD na Bahia, que também foi muito concorrida. Na ocasião Otto Nelson deixou o pastorado da igreja para viajar à Suécia. Assumiu a direção em seu lugar o missionário Aldor Petterson.

            Em 1938, Otto Nelson viajou para Flores, em Buenos Aires, capital Argentina, onde assumiu a direção de uma igreja.
Em 18 de setembro de 1945, assumiu o pastorado da AD em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, onde trabalhou até o ano de 1947, sendo substutuído pelo missionário Nels Julius Nelson. Tempos depois, foi a Montevidéu, Uruguai, dar continuidade à obra de Deus ali. Foi neste último país que dedicou boa parte do seu labor no fim de sua carreira missionária.

Ao retornar à Suécia, apesar de sua avançada idade, gozava de perfeita saúde e em pleno vigor continuava a pregar a Palavra de Deus, viajando por todo o país. No dia 5 de dezembro de 1982, aos 91 anos de idade, o missionário Otto Nelson partiu para o descanso eterno.