
Durante alguns anos, ninguém queria se aproximar dos crentes. Muitos os evitavam. Enquanto isso, os crentes se aproximavam de todos e, com graça e amor, semeavam as Boas Novas.
Em 22 de outubro de 1922, Otto Nelson inaugurou o terceiro templo da AD no Brasil e o maior da denominação, na época. Sua inauguração repercutiu em todo o Nordeste e atraiu para Maceió crentes de vários Estados.
De 21 a 28 de outubro de 1923, Nelson realizou a primeira Convenção da AD em Alagoas, com a presença de irmãos e líderes de todo o país. Por esse tempo, morreu um dos filhos do missionário, que naquela época residia no bairro de Bebedouro, em Maceió. Na hora de realizarem o enterro, foram surpreendidos com a informação de que o sacerdote católico não permitia que a criança fosse sepultada no cemitério local. Além de se opor ao enterro, levantou a população contra os pregadores do evangelho. Foi necessária a intervenção das autoridades para que o enterro fosse realizado. E isso só pôde acontecer à noite, sob escolta policial, pois de outra forma não poderiam enterrar o menino.
Em 1924, quando toda a capital alagoana foi castigada por uma tremenda inundação que arrasou e arrastou, na correnteza, casas, pessoas, animais e móveis, Otto Nelson abriu suas portas para abrigar os crentes que perderam suas casas.
Em maio de 1930, Otto Nelson entregou o pastorado da igreja ao missionário Algot Svenson e viajou para a Bahia. Lá, o trabalho também foi muito difícil. Seis meses de esforços foram necessários para realizar o primeiro batismo, com apenas quatro pessoas. "Aqui em Salvador ainda não podemos dar novas de grande progresso do trabalho, mas temos semeado a boa semente, e a temos regado com as nossas orações", escreveu o missionário Nelson. Tempos depois, tudo se modificou, de forma que os batismos se sucederam e a igreja cresceu.
Otto Nelson não cuidava só do trabalho na capital. Sua visão alcançava o interior do Estado. Em duas semanas em Valente, no município de Coité, mais de 20 pessoas aceitaram a Cristo. Treze pessoas foram batizadas nas águas e foi aberta ali uma congregação.
Nesse período, foi convidado pelos crentes de Aracaju para oficializar a Assembleia de Deus sergipana, que ainda estava sendo formada. Em 18 de fevereiro de 1932, Otto Nelson chegou a Sergipe, inaugurou e oficializou a nova igreja, que ficou filiada à AD de Salvador até 1949, quando ganhou autonomia, batizou seis novos convertidos (a igreja ali só tinha 11 crentes na época) e celebrou a primeira Ceia do Senhor no Estado.
Durante seis anos, o missionário serviu à igreja baiana, a princípio na capital, e depois em todo o Estado. Em 1936, a igreja já estava em condições de promover sua primeira convenção estadual. Esse fato foi muito significativo e atestou o progresso do evangelho na Bahia. Nos dias 27 de abril a 3 de maio de 1936, a igreja em Salvador hospedou a primeira convenção da AD na Bahia, que também foi muito concorrida. Na ocasião, Otto Nelson deixou o pastorado da igreja para viajar à Suécia. Assumiu seu lugar o pastor Aldor Pettersson.
Nelson foi o presidente da sexta Convenção Geral das Assembleias de Deus, realizada em 1935, na Paraíba.
Em 1938, Otto Nelson viajou para Flores, em Buenos Aires, capital argentina, onde assumiu uma igreja. Em 18 de setembro de 1945, assumiu o pastorado da AD de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, sendo substituído em 1947, pelo missionário Nels Nelson. Tempos depois, foi a Montevidéu (Uruguai), dar continuidade à obra de Deus ali, Foi neste último país que dedicou boa parte de seu labor no fim de sua carreira missionária.
Na Harpa Cristã, consta de sua autoria o hino 127 e sua versão dos hinos 21, 94, 344, 419 e 424.
Ao retornar à Suécia, apesar de sua avançada idade, gozava de perfeita saúde e, em pleno vigor, continuava a pregar a Palavra de Deus, viajando por todo o país. Otto Nelson faleceu em 5 de dezembro de 1982, aos 91 anos. Otto e Adina tiveram três filhas: Lydia, Ester e Ruth, que se tornou esposa do jovem missionário Herbert Nordlund.
ANEXOS:
Antigo templo-sede da Assembleia de Deus em Maceió - AL
Missionário Otto Nelson e sua família